quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Pedágio na BR-364 está é barato

Pedágio na BR-364 está é barato

 

Professor Nazareno*

 

            A BR-364, que liga o Estado do Mato Grosso a Rondônia e ao Acre, teve uma parte privatizada recentemente. É o trecho entre as cidades de Vilhena e Porto Velho, a suja e fedorenta capital do estado Karipuna. Já a partir do próximo dia 12 de janeiro, as cobranças começarão a acontecer para o deleite da população atingida. Praticamente todos os “sofridos habitantes de antes estão eufóricos e muito alegres. A classe política, tanto a estadual quanto a federal, não esconde a sua satisfação e o regozijo com mais este grande presente dado ao povo rondoniense. A exemplo das grandes rodovias espalhadas pelo país, Rondônia também já tem a sua rodovia nas mãos da iniciativa privada. “O progresso finalmente dará as caras por aqui”, é o que se ouve das pessoas. Já é quase consenso de que quando a privatização chega a algum lugar ou instituição, tudo melhora.

            Muito antes dessa “abençoada” privatização, massas de turistas chegavam aos montes para visitar Rondônia e também a sua imponente capital. Agora esse contingente vai quadruplicar, pode-se ter a certeza disso. Os brasileiros oriundos de outras unidades da Federação terão a partir de agora a oportunidade única de ver o que é uma rodovia privatizada e como ela funciona tão bem. As coisas começarão de fato a funcionar como nos países de Primeiro Mundo. Pagando uma “ninharia” os novos turistas poderão ver in loco como um povo pobre e miserável consegue militar politicamente na extrema-direita reacionária e não demonstrar nenhum tipo de arrependimento. Verão também como a produção do agronegócio promoveu um dos maiores desastres ambientais da história da Humanidade. A impenetrável floresta amazônica foi derrubada e transformada em capim.

            Com a privatização da BR-364, os turistas e forasteiros poderão acompanhar de perto e até estudar como foram feitos os massacres de várias populações originárias locais para dar lugar a cidades “pujantes e progressistas” como Jaru, Ouro Preto, Presidente Médici, Pimenta Bueno e tantas outras. Além do mais, a partir de agora certamente os novos donos da estrada farão jorrar mel e leite da sua rodovia. Em pouco tempo ela será toda duplicada, claro! E quem quiser ver “de camarote” como foi feita a maior destruição de uma floresta tropical é só pagar o pedágio. Os preços de tudo vão baixar. Vejam só: a privatização só pode mesmo ser coisa de Deus, pois a Energisa, por exemplo, depois que chegou a Rondônia tudo aqui melhorou: energia boa, barata e farta. E se você nunca foi atendido num hospital “Built to Suit” agora vai pagar pedágio num sistema “Free Flow”.

            Esse baita presente de Ano Novo que Rondônia recebeu deve ser por que muitos de seus habitantes são incultos, conservadores e da extrema-direita. “E por isso, eles não reclamam de quase nada”. Óbvio que nenhum dos 3 senadores, dos 8 deputados federais do Estado e dos 24 deputados estaduais sabia dessa cobrança. Muitos desses políticos, dos prefeitos do interior e até mesmo o governador do Estado quase não falam sobre tudo isso. E como “quem cala, consente...”. Mas a maioria deles espera receber votos da massa ignara em 2026. Já ouvi algumas pessoas, claro que de direita, defenderem a privatização de todo o Estado de Rondônia: as hidrelétricas, o rio Madeira, que praticamente já tem dono, o CPA, o rio Machado, o ar que respiramos, o rio Candeias, o céu azul, o que ainda resta de floresta e até a própria capital estadual. Quanto será que Porto Velho vale a preço de hoje? Ninguém percebeu que “Quando tudo for privado, seremos privados de tudo”.

 

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.

sábado, 3 de janeiro de 2026

Maduro caiu. Lula é o próximo?


 

Maduro caiu. Lula é o próximo?

 

Professor Nazareno*

 

            Os Estados Unidos bombardearam, invadiram a Venezuela e prenderam o ditador Nicolás Maduro e o levaram junto com a sua esposa para ser julgado nos Estados Unidos. Essa covarde intervenção norte-americana em um país soberano reacendeu no Brasil, principalmente entre os muitos tolos bolsonaristas, a possível ideia de que Lula, o atual presidente brasileiro, possa também ter o mesmo destino. Não terá! Na verdade, quem está preso por tentativa de golpe de Estado e tão cedo não será libertado é Jair Bolsonaro. O que Donald Trump fez teve certamente o aval de outras potências estrangeiras como a Rússia e a China. A nova Yalta (Crimeia), ou a NOM, Nova Ordem Mundial, já decidiu que Putin invadiu a Ucrânia, os Estados Unidos invadiram a Venezuela e a China vai invadir Taiwan. E nenhum deles se mete nas investidas do outro. Só umas notinhas bobas.

         A Venezuela tem as maiores reservas de petróleo do mundo com mais de 300 bilhões de barris. Os Estados Unidos estão de olho nesta riqueza e vão roubar, claro, tudo o que puder. Além disso, o país sul-americano tem terras raras e muitas outras riquezas minerais. Nicolás Maduro era um ditador, não resta a menor dúvida. Perdeu as últimas eleições presidenciais para a oposição, mas não entregou o poder. O Brasil de Lula e do PT não reconheceu a sua vitória, assim como vários outros países do mundo. Mesmo assim os imperialistas norte-americanos, nem nenhum outro país do mundo, tinham o direito de bombardear e invadir o nosso vizinho. O direito internacional não foi para o beleléu dessa vez, já tinha ido bem antes quando Israel, com a ajuda dos norte-americanos, provocou um Holocausto em Gaza. E a ONU nada disse, nada fez, só olhou.

         Aliás, quem manda mesmo no mundo hoje são as três maiores potências militares da atualidade: Estados Unidos, Rússia e China. A França e o Reino Unido, apesar de também pertencerem ao Conselho de Segurança da ONU, parece que não têm vez nem voz. A desgastada e inútil Organização das Nações Unidas virou um brinquedo nas mãos dessas nações mais poderosas. Essa entidade infelizmente não tem atualmente nenhuma credibilidade. Já o Brasil é muito pior do que um zero à esquerda. Sem nenhum destaque internacional e com suas Forças Armadas em frangalhos, nosso país é o que sempre foi: uma vergonha internacional. “Um anão diplomático”, como bem frisou um diplomata de Israel. Os Estados Unidos não vão, por enquanto, tomar qualquer medida contra o nosso já aniquilado país. Mesmo ambicionando a Amazônia e todas as nossas riquezas naturais.

      Nossas Forças Armadas não aguentariam nem meia hora de combate contra uma potência como os Estados Unidos. Numa guerra de verdade nós perderíamos até para a Bolívia. Mas os bolsonaristas gostariam que Donald Trump nos invadisse, tomasse o governo de assalto e prendesse o Lula assim como fez com a Venezuela e o Maduro. Não só prender o Lula, mas também o Alexandre de Moraes, o Flávio Dino e muitas outras autoridades brasileiras. E, lógico, fechasse o STF e colocasse o presidiário Jair Bolsonaro no poder. Mesmo o Brasil sendo o “quintal” dos Estados Unidos é muito pouco provável que isso aconteça. A Rússia e a China, os nossos parceiros nos BRICS, não iriam se incomodar muito, pois já têm os seus próprios quintais para se preocupar. Mas é bom Lula colocar suas “barbas de molho” e maneirar com suas declarações, pois não se deve confiar muito numa nação imperialista como os Estados Unidos. Um feliz 2026 para nós.

 

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Um 2026 sem perspectivas!

Um 2026 sem perspectivas!

 

Professor Nazareno*

 

           O ano de 2026 já começou e parece que não vai trazer nenhuma esperança de melhoras para o Brasil, para Rondônia e muito menos para Porto Velho, a sofrida, distante e castigada capital estadual. Na política, o país terá eleições para escolher o próximo presidente, os governadores dos estados, dois terços do Senado, deputados estaduais e deputados federais. A maldita polarização a nível nacional ditará as regras dos debates infelizmente também no âmbito regional. Tudo sugere que Lula, representante do PT e das esquerdas, deva ganhar as próximas eleições, já que a direita e a extrema-direita, desgastadas, não têm um candidato definido, embora Flávio Bolsonaro já tenha dado a largada. Com Jair Bolsonaro e todos os seus principais seguidores presos por tentativa de golpe de Estado, a fatura deve mesmo se inclinar para um quarto mandato de Lula. Será?

            Ninguém sabe o que é pior para o Brasil com mais essa possível eleição do petista. Lula “já deu o que tinha que dar”. Chega! O “Sapo Barbudo” tinha que sair da política e se aposentar, pois já caminha para uma idade bem avançada. Mas a sua desistência pode abrir caminhos para algo muito pior no país: a volta quase certa do fascismo golpista da extrema-direita reacionária. O Brasil continua muito rico, mas ainda com uma das piores sociedades do mundo em termos de desigualdade social e de participação da população no PIB do país. O nosso IDH é um dos piores do mundo. E nem a direita conservadora nem a esquerda, dita progressista, vai querer resolver essas mazelas que afligem nossa gente há séculos. Qualquer ideologia que seja a vencedora agora em 2026 deverá trabalhar para tudo continuar do mesmo jeito. Mudanças, se houver, serão mínimas na sociedade.

            Em Rondônia, a fome e a miséria continuarão a fazer parte de um dos mais pobres, atrasados e miseráveis rincões atuais. Com apenas 0,7 por cento do PIB do país e menos de um por cento de toda a população nacional, o Estado Karipuna tem um dos maiores percentuais de gente que milita e ainda vota na extrema-direita fundamentalista. Mas pouca coisa deverá mudar por aqui no ano que se inicia. Problemas fundiários, massacres de povos originários, agressões à natureza com a destruição sistemática da Amazônia, incêndios florestais com fumaça tóxica, fome em grandes plantações, energia caríssima, apesar das várias hidrelétricas que há no estado, raríssimos voos saindo do acanhado aeroporto da capital, passagens aéreas pela hora da morte e falta de um hospital de pronto-socorro são gargalos costumeiros que a incompetente classe política local devia resolver.

            Já Porto Velho, a pior dentre as 27 capitais do país em qualidade de vida e em saneamento básico, deverá continuar com a sua triste sina de carniça, podridão, violência, favelas, falta de arborização e com esgotos contaminados escorrendo a céu aberto. Já se passou um ano e a atual administração nada fez em relação ao aumento da precária e quase inexistente rede de esgotos. Vergonha nacional: quase meio milhão de pessoas na “currutela fedida” não têm acesso a água potável ou a limpeza urbana. Engana-se quem pensa que só porque chegou um novo ano, o prefeito vai fazer jorrar mel e leite das fedorentas ruas daqui de uma hora para outra. Será que em 2026 o porto rampeado vai ser consertado? Será que os ratos, urubus e tapurus que infestam essa cidade vão procurar outros lugares para fazer moradia? O ano pode até ser novo, mas o Brasil, Rondônia e Porto Velho devem continuar com as infâmias de sempre. “Povo e políticos: os mesmos”.

 

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.

Meu sonho: nunca ir aos EUA

Meu sonho: nunca ir aos EUA

 

Professor Nazareno*

 

            Modéstia à parte, eu já conheço muitos países do mundo. Visitei, como turista, quase todos as nações vizinhas a nós, fui à Europa umas quatro vezes, visitei o Oriente Médio incluindo Israel, Jordânia e Palestina, mas nunca fui aos Estados Unidos. Aliás, eu sempre tive um sonho, assim como o ativista americano Martin Luther King: jamais em toda a minha vida ir visitar aquele país. Não gosto dos EUA nem da maioria de sua gente e das suas autoridades. Embora reconheça que não existe nação hoje no mundo que respeite tanto a democracia como os norte-americanos. Investimentos em Educação, em pesquisas e ciência têm sido uma constante na América do Norte. Mas a política externa desse país é uma desgraça baseada na ambição imperialista que sempre produziu guerras ao redor do mundo. Do Vietnã à Iugoslávia passando pela Europa, Ásia e Oriente Médio.

            Muito antes do início do século passado que os governos estadunidenses, de um modo geral, sempre quiseram ser a “palmatória do mundo”, por isso exportaram guerras, intervenções, massacres, genocídios e assassinatos de cidadãos em vários países. Na Guerra da Coreia, por exemplo, os Estados Unidos mataram mais de três milhões de inocentes. No Vietnã fizeram outra carnificina com mais de 3,5 milhões de mortos. Esse amaldiçoado país da América do Norte sempre teve uma azeitada e moderna máquina de guerra só para matar gente em todos os continentes. E quem não se submeter à sua vontade paga um preço caro. Sem necessidade, durante a Segunda Guerra Mundial, e de forma covarde, lançaram duas bombas atômicas sobre um Japão já rendido, derrotado, vencido. Milhares de mortos. Hiroshima e Nagasaki: hoje são vergonhas do mundo dito civilizado.

            No Oriente Médio, os imperialistas yankees impuseram o Estado de Israel em terras habitadas por palestinos e até hoje ajudam os judeus a produzirem massacres e genocídios de velhos, mulheres e crianças. Vejam Gaza! Na década de 1960 patrocinaram inúmeras ditaduras militares no continente americano, todas fiéis a Washington. E sobrou até para nós com a nossa ditadura militar sendo apoiada pelos malditos norte-americanos. A Guerra ao Terror foi outra farsa só para roubar o petróleo do Iraque. Mataram Saddam Hussein e se apossaram da riqueza do país invadido. O Iraque não tinha nem nunca teve armas de destruição em massa como fora alegado na época. Em apenas 23 anos, Bill Clinton, George W. Bush e Barak Obama, ex-presidentes dos EUA, invadiram 9 países muçulmanos, mataram onze milhões de cidadãos e nunca foram chamados de terroristas.

Foi por isso que Osama Bin Laden arquitetou com maestria o 11 de setembro de 2001. Essa data foi uma consequência da política externa dos EUA e não um ataque à toa. Por que os “terroristas” árabes não atacaram a Rússia, a China ou outro país? Os Estados Unidos sempre foram o câncer do planeta e se não existissem como nação, a paz e a harmonia certamente seriam uma constante no nosso mundo. Agora, eles querem invadir a Venezuela para roubar o país sul-americano. “A Venezuela é um país narcoterrorista”, dizem falsamente. A Venezuela tem as maiores reservas de petróleo da atualidade e não produz um grama sequer de cocaína ou de outra droga. Mas só se livra de ser atacada se China ou Rússia intervierem e ajudarem a defender os bolivarianos. Trump é o diabo em pessoa. Ele é muito pior do que Bolsonaro ou Hitler. Então, qual o prazer de se visitar uma porcaria de nação agressora como essa? Se me derem um visto, eu rasgo e jogo fora.

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.

sábado, 20 de dezembro de 2025

Papai Noel, cidadão de Rondônia!

Papai Noel, cidadão de Rondônia!

 

Professor Nazareno*

 

      Festa em Porto Velho, a capital de Roraima! Sorridente e fumando um baseado, Papai Noel chegou à zona Sul e depois à zona Leste da capital mais suja e imunda do país. Acompanhado das suas três esposas e dos seus dois amantes, o velho sacana balançava sem parar o seu enorme e já pendurado saco na frente das muitas crianças para distribuir presentes e mais presentes para todos os que foram àquelas festas bregas. Com a sua inconfundível barba branca, o velho patife era só alegria: também recebeu da classe política muitos presentes em forma de PIX só para alegrar a criançada mais pobre, miserável e desassistida da cidade. No seu seboso saco havia regalos para muita gente. O velho imundo passou de início pela Câmara de Vereadores da cidade e lá ajudou muito na felicidade dos nobres vereadores: ele distribuiu “rachadinhas” para todos os presentes.

      Saindo dali o velho seboso deu um pulinho no Parque da Cidade, onde viu neve pela primeira vez na vida. “Como é bom ver essa coisa branca e fria nesta cidade” disse sem nenhuma desfaçatez o velho pilantra. Encantado e otimista ao extremo, o velho maconheiro disse que quando for à prefeitura da cidade vai dar os parabéns ao atual prefeito por esta façanha de fazer Porto Velho se parecer com as cidades da Europa. “O povo de Porto Velho e também as crianças daqui precisam muito de neve. Cada vez mais neve!”, falou sem arrodeio. Realmente, os habitantes daqui são muito felizes, pois já têm água de sobra em muitas de suas ruas e também dentro de suas próprias casas. Um povo que tem esgotos a céu aberto só pode mesmo ser um povo de muita sorte. E o velho sádico não poupava elogios ao bairro Orgulho do Madeira. “Parece com Viena”, disse ele rindo.

      Ao sair da prefeitura e de ter parabenizado o prefeito pela “gorjeta” de 500 reais dada só aos técnicos educacionais do município, o velho nojento acha que os professores ligados à Prefeitura de Porto Velho já ganham muito bem e não precisam de mais nada. “Professor em Porto Velho se não ganha hoje, mas em breve vai ganhar igual a alguns funcionários lá do TJRO”, observou. Esse Papai Noel de Porto Velho disse que todo mês praticamente passa em algumas repartições públicas só para distribuir gratificações. Por isso a alegria e também o contracheque gordo verificado ali todo mês. Mas fez um mea-culpa: achou que devia também visitar um certo “açougue” localizado na zona Sul da cidade. O velho asqueroso disse que o HEURO ou o “Built to Suit” sairá em breve, pois já conversou com o atual governador sobre isso. Já pensou o CPA com um novo senador?

      Mas o velho desprezível ainda está meio desconfiado com Porto Velho e também com Rondônia: como usar roupas totalmente vermelhas num ambiente repleto de pessoas bolsonaristas e anticomunistas sem ser notado? O velho insignificante e sinistro já disse que sua inclinação política é ser também da extrema-direita reacionária, por isso não pode compactuar com tanta gente pobre. “Se esta cidade não tivesse tantos pobres pelos sinais de trânsito, seria um lugar bem melhor para se viver”, raciocinou o velho abjeto. Com muita sabedoria, mas hipocritamente com um bom espírito popular, o velho repugnante parabenizou todas as classes políticas: federal, estadual e municipal. “Vocês são muito úteis a todo esse povo, que continuará ainda por um bom tempo, pobre, burro e carente. Mas só assim vocês garantem meu emprego e a sua fortuna sempre”. O velho sórdido pediu um tempo para passar na Energisa! “Os donos daquilo ali precisam muito de mim”.

 

 


*Foi Professor em Porto Velho.


 

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

Flamengo e Bolsonaro só perdem

Flamengo e Bolsonaro só perdem

 

Professor Nazareno*

 

            Existem duas tranqueiras no Brasil atualmente: uma na política e bem mais atual. A outra é mais antiga, está vinculada ao futebol e é chamada de paixão nacional. O Clube de Regatas Flamengo e o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro parece que estão disputando “palmo a palmo” quem é a pior desgraça que aconteceu ao Brasil e aos brasileiros nos últimos anos. Bolsonaro foi processado, julgado, condenado e está preso por tentativa de golpe de Estado. Deve cumprir pelo menos 27 anos e três meses de cadeia. O Flamengo não foi processado nem condenado a nada por ter dado mais uma decepção aos seus tolos torcedores no jogo pela decisão da Copa Intercontinental de Clubes/25. Perdeu para o PSG da França. Mas devia: como pode um time que se diz profissional e é tão badalado pelos seus torcedores perder quatro pênaltis em uma decisão desse calibre?

Além do mais, a morte dos meninos no “Ninho do Urubu” em 2019 continua como uma grande mancha de tristeza na história desse time do Rio de Janeiro. Pelo menos dez garotos entre 14 e 16 anos foram vítimas de um incêndio nas dependências do clube carioca. Claro que houve negligência. No futebol, o Flamengo é uma decepção nacional assim como Bolsonaro foi na política. E os dois, não se sabe como, conseguem formar massas de ignorantes seguidores. O “Mito” de muitos brasileiros disse que ia enfrentar o sistema e dessa forma mudaria para sempre a vida de seus conterrâneos. Pura enganação, só balela mesmo. O que ele mudou foi só a sua vidinha infeliz. Está enjaulado nas dependências da Polícia Federal em Brasília dependendo hoje de uma anistia que pode não sair tão cedo devido à gravidade dos crimes que ele cometeu quando foi presidente.

             Só na Covid foram mais de 700 mil vidas ceifadas por pura negligência dele em trazer vacinas para enfrentar o caos do Coronavírus. Já o Flamengo conseguiu enganar seus torcedores durante o ano todo. Fazia pose de time grande e dava a impressão (falsa) de poder competir de igual para igual com os times europeus. Levou um baile dos franceses dirigidos pelo melhor técnico da atualidade: o espanhol Luis Enrique. O empate só veio num pênalti que não houve quando o brasileiro Marquinhos do PSG teria derrubado Arrascaeta do Flamengo dentro da área. O placar prosseguiu até o final da prorrogação. Nos pênaltis, o fracasso e a decepção flamenguista vieram à tona. A equipe brasileira perdeu, por incrível que pareça, quatro pênaltis seguidos. Nem o Genus de Porto Velho em sua pior fase conseguiria essa proeza tão absurda. Eis aí um time de comadres.

            Depois dessa derrota inexplicável, os torcedores desse “timinho de várzea” deviam escolher algo melhor para torcer a partir de agora. Eu pelo menos torço, há tempos, pelo poderoso Bayern de Munique da Alemanha e não tenho do que reclamar. O Flamengo foi dominado o tempo inteiro pelos franceses e só empatou o jogo num lance pra lá de duvidoso. E isso pode ser um prenúncio da próxima Copa do Mundo. A seleção brasileira atual é até pior do que o time carioca. E talvez nem passe da primeira fase do torneio. Os brasileiros fracassam tanto no futebol quanto na política por não ter uma boa capacidade de escolhas. E para evitar essas vergonhas deviam pesquisar melhor nas duas situações. Mas Flamengo e Bolsonaro divergem em alguma coisa: o rubro-negro carioca será campeão do estadual jogando contra o Volta Redonda ou o Maricá. Já o Bolsonaro, preso, escapou de uma grande decepção: teria de enfrentar Lula, o PSG da nossa política.

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.

terça-feira, 16 de dezembro de 2025

Zezé di Camargo: É o amor!

Zezé di Camargo: É o amor!

 

Professor Nazareno*

 

            O cantor sertanejo Mirosmar José de Camargo, mais conhecido como Zezé di Camargo, já emplacou muitos sucessos no Brasil cantando com o seu irmão Luciano. A dupla caipira já enfeitiçou multidões inteiras com suas muitas músicas bregas e tem até um filme muito bom sobre a carreira de sucesso dos irmãos goianos: “2 Filhos de Francisco”. A fita conta a história de sucesso da dupla e chegou a conquistar muitos prêmios. O filme de Zezé di Camargo foi um fenômeno de bilheteria e crítica, ganhando diversos prêmios, principalmente no Grande Prêmio Cinema Brasil (2006), onde venceu em 4 categorias e recebeu outras 8 indicações, além de troféus no Festival de Havana (Melhor Filme) e Palm Springs, consolidando-se ali como um dos maiores sucessos do cinema nacional. Até hoje mais de 6 milhões de espectadores já viram a fita.

            Com muita competência e o sucesso garantido, a dupla de Pirenópolis/GO não demorou para ficar rica. E desnecessariamente passou a participar da política e também a dar declarações, principalmente o Zezé di Camargo. Primeiro, falou que no Brasil nunca houve uma ditadura militar, apenas uma espécie de “militarismo vigiado” sem explicar quem vigiava quem. Ele se esqueceu de que no próprio filme “2 Filhos de Francisco” há uma cena que fala claramente sobre a existência de uma feroz ditadura militar no Brasil, que censurava músicas e artistas como ele. Fracassado em tentar negar a História, mais recentemente Zezé se aliou a Bolsonaro e ao bolsonarismo. E deixou claro que hoje pensa como pensam os muitos ricos e milionários que militam na extrema-direita reacionária. Esqueceu, portanto, os dias de pobreza e problemas que deve ter vivido antes do sucesso.

            Zezé di Camargo tem todo o direito de ter uma posição política, assim como qualquer outro brasileiro. Mas devia refletir que a sua arte é apreciada tanto por um lado político quanto por outro. Pessoas que gostam de suas músicas são tanto da direita como também da esquerda. Ele vende seu talento para todas as pessoas e não apenas para um lado só. Esta semana, ele gravou e publicou um desastrado vídeo reclamando que a emissora SBT, das herdeiras de Sílvio Santos, convidara o presidente Lula e o Vice-presidente do STF, Alexandre de Moraes, para participar do lançamento do SBT News. O SBT também convidou Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, e o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes, ambos pertencentes à extrema-direita conservadora. A presença de Lula e de Moraes incomodou e muito o cantor, que destilou ódio à esquerda.

            Mirosmar pediu que o SBT não apresente mais o especial de fim de ano que ele gravou para a emissora e destratou publicamente as filhas do ex-apresentador. Perdeu, infelizmente, uma excelente oportunidade para tentar acabar com essa polarização absurda que tanto mal faz à vida pública no país. Como um artista de reconhecimento nacional, ele poderia ter ficado calado para evitar colocar mais lenha na fogueira das desavenças políticas. Essa polaridade só tem trazido prejuízos e desarmonia para o Brasil. Devia fazer como o “Véi” da Havan: sair de cena. Jair Bolsonaro, o “Mito” de muitos brasileiros, foi julgado, condenado e hoje está preso cumprindo pena pelo que disse e tentou fazer. Ponto final! O ódio não leva à nada, só a mais divisões nas famílias, na sociedade e nos brasileiros de um modo geral. Zezé di Camargo devia regravar o seu primeiro sucesso e mudar toda a conotação da música. “É o ódio”, em vez de “É o amor”.

 

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

O dia em que Porto Velho parou


O dia em que Porto Velho parou

 

Professor Nazareno*

 

          Escuras nuvens de temporal ameaçam esta sinistra e estranha cidade. E ainda não é a tão propalada chuva de merda que todos os moradores daqui esperam há décadas. É que mesmo sem chover fezes humanas, a vida por aqui sempre foi regada a bosta. Esgotos escorrendo a céu aberto, falta de água tratada e de saneamento básico, ausência total de arborização, alagamentos quase diários, poços de água potável ao lado de fossas sépticas e muitos ratos e urubus fazendo parte da rotina diária na pior dentre as capitais do país para se viver é o dia a dia e a rotina de nós, infelizes moradores. Parece que as nuvens carrancudas, como num passe de mágica, fizeram a cidade parar totalmente por um dia inteiro como na música de Raul Seixas. Os poderes constituídos da cidade pararam de funcionar e assim a felicidade era geral entre todos os habitantes dessa imunda capital.

       As corriqueiras alagações deixaram de existir, apesar da ameaça constante das chuvas torrenciais. O atual e alegre “prefeito Tik Tok”, em uma das suas muitas aparições na internet, prometeu acabar com o sofrimento dos pagadores de IPTU. E tudo era só promessa de político. E mesmo sem ter acesso à água tratada, à mobilidade urbana, esgotos e IDH, os moradores agradeceram e ficaram muito felizes. Os vereadores da cidade deixaram de fazer as “rachadinhas” e naquele insólito dia resolveram todos eles trabalhar de verdade em benefício da população carente. Neste dia, os rondonienses resolveram votar na esquerda, mas sem deixar de serem da direita e da extrema-direita, pois Rondônia e Porto Velho são do agronegócio e das igrejas evangélicas. Então como se justificar que ainda tenha voto ou mesmo até algum eleitor na esquerda? É tudo surreal!

         Com a suja cidade totalmente parada, muitas coisas estranhas foram vistas pela população incrédula. Autoridades locais começaram a procurar o “açougue” João Paulo Segundo para poder curar suas muitas doenças. Desembargadores, juízes, deputados estaduais, deputados federais, senadores, o prefeito, os vereadores e até o governador do rincão foram vistos numa fila procurando médicos lá pela zona sul da cidade. Os urubus do Cai N'água faziam voos rasantes em volta não dos muitos esgotos a céu aberto do lugar, mas sobre os prédios do C.P.A., da Assembleia Legislativa e também da Câmara de Vereadores. Jornalistas experientes escreviam textos progressistas conclamando todos a votar só em candidatos de esquerda para tentar mudar a triste situação de servidão e de subserviência em que se vive aqui. E o povão organizado gritava e protestava nas ruas!

     “Queremos mais árvores”, era o coro que mais se ouvia. “Queremos mais mobilidade urbana”.  Só vamos participar da Banda do vai Quem Quer e do Arraial Flor do Maracujá se atenderem às nossas reivindicações”, era o mantra! Mas também havia algumas pessoas gritando que precisavam de um bom e novo hospital de pronto-socorro no Orgulho do Madeira. Neste insólito dia, ninguém prometia construir hospital Built to Suit, pois promessas agora só no próximo ano. E para a alegria de todos, em Porto Velho crianças patinam no gelo depois de escapar das enchentes urbanas causadas pelas fortes chuvas. E tome-lhe WhatsApp! Na cidade parada, a fétida classe política ri enquanto vêm aumentos de energia e no acanhado campo de pouso os voos ficam mais raros e mais caros. E a briga direita X esquerda continua enganando os trouxas eleitores. “Deixem esse hospital público e voltem aos seus bons planos de saúde”. Diremos amém?

 

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

Bolsonaro (ainda) não morreu!

Bolsonaro (ainda) não morreu!

 

Professor Nazareno*

 

O ex-presidente Jair Bolsonaro foi julgado, condenado e atualmente está onde sempre deveria: na cadeia. O STF o condenou a 27 anos e três meses por tentativa de golpe de estado. Ele e seus cupinchas estão agora vendo o sol nascer quadrado. Mas se engana quem acha que o “Mito” da maioria dos brasileiros está totalmente fora de combate. O cidadão Jair Bolsonaro, que só poderá concorrer em eleições no Brasil a partir do ano 2060, pode até não ser mais uma ameaça, porém seus admiradores, bajuladores e seguidores são muitos e por isso, a sua nefasta ideologia pode perdurar entre nós por um bom tempo ainda. Conta uma lenda que o diabo teve cinco filhos: Hitler, Mussolini, Pinochet, Donald Trump e depois, no quinto, deu uma fraquejada e nasceu Bolsonaro. Assim, guiados pelo Satanás e por sua política assassina, muitos ainda serão fieis ao líder.

O bolsonarismo continuará, portanto, vivo dentre nós ainda por um bom tempo. Aquele seu irmão, a sua irmã, aquele seu filho, tio, primo, amigo, conhecido e até algum jornalista ou professor que se identificou com o Bolsonaro e defendeu ferrenhamente seus ideais pode emergir a qualquer momento como político e assim ressuscitar todo aquele festival de estupidez, de desrespeito ao ser humano e de atraso. Muitos políticos de hoje em dia, também, estão disputando o que resta do pensamento e da “massa falida” de Bolsonaro e do bolsonarismo. Há muitos políticos que são contra os pobres, contra comunistas, contra o conhecimento e a ciência. Fazem discursos acalorados e agressivos. E por isso, muitos deles, são aplaudidos e ovacionados. E muitos desses mesmos políticos vão ser eleitos em 2026. Propagar o mal, a vingança, o ódio, a morte, rende muitos votos.

Como pode um sujeito com uma vida medíocre, uma cultura tosca, com atitudes grosseiras, uma carreira militar totalmente desqualificada, uma contribuição parlamentar nula, linguajar chulo, inconsistência partidária, comentários impróprios à moral, com uma mentalidade fascista e ditatorial e uma total incompetência na diplomacia política influenciar o voto de tanta gente assim? Na verdade, ele não influenciou nada nem ninguém. Essas pessoas viam e ainda veem nele o seu próprio espelho refletido. Bolsonaro só despertou e fez emergir as qualidades ruins e bestiais que muita gente tem. Ou seja, apesar de tentar ter dado um golpe de estado, de zombar da pandemia, de imitar pessoas morrendo de Covid-19, de negar a vacina, de tripudiar do conhecimento e da ciência e de ser um negacionista, ele mantém muitos apoiadores pelo mal que representa.

Por isso, quem o apoia é porque ainda se identifica com o infeliz e com a sua tosca “visão” de mundo. Mas muitos políticos atuais já estão abandonando o barco bolsonarista. Político só quer voto e como o agora presidiário não poderá mais ser votado, é compreensível que boa parte da classe política não queira mais negócio com ele. Já ouvi muita gente dizer que tem vergonha de ter apoiado o malfeitor. Mas a influência maléfica do “grande imbecil” ainda vai fazer muito estrago na política nacional. Não acredito, hoje, em vitória da extrema-direita nas próximas eleições se ela insistir em dar apoio às ideias bolsonaristas. Não falta muito para o atual “Mito” ser varrido para o esgoto da História. Porém, daqui a 20 ou 30 anos deverá surgir um “novo idiota” para mobilizar as futuras massas ignaras. A cada geração, a História se repete no Brasil, nação de analfabetos políticos e de governantes vendidos. De direita e de esquerda!

 

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.

domingo, 30 de novembro de 2025

Canoa: banquete de hipocrisia

Canoa: banquete de hipocrisia

 

Professor Nazareno*

 

            Uma canoa totalmente desgovernada boia, sem rumo e sem destino, por uma das inúmeras ruas alagadas daquela estranha e sinistra cidade. Nela estão embarcados vários meninos que cantam alegremente. Eles gostam muito de brincar na chuva. Todo ano fazem isso para se divertirem. Barretinho, Chaves, Libanês, Betinho e Zé Coelho estão tão felizes que não percebem os perigos que existem. Também não veem as pessoas se afogando a cada instante nas imundas e caudalosas águas que entram nas suas casas. Os amiguinhos de infância parecem também não saber que as mortes causadas pelas águas infectas podem ser de sua responsabilidade. Todo ano eles brincam naquelas águas podres como se não existisse o amanhã. A cidade onde eles navegam já tem mais de 111 anos de existência, mas nenhum deles nasceu nela. Por isso que as famílias apoiam a brincadeira.

            Essa canoa está toda furada, velha, esburacada, precisando de reparos, emendas e breu. Ela pertence à comunidade, mas é Barretinho quem está tomando conta dela no momento. Chaves até tinha indicado uma colega dele para ficar com essa canoa, mas durante uma outra e corriqueira alagação, Barretinho foi mais esperto e “dançou” em uma enorme poça d’água e muitas pessoas, que depois seriam afogadas em outras futuras enchentes, logo gritaram para que a canoa mudasse de dono. E assim foi feito. Chaves e Barretinho são até amigos, mas não se dão muito bem. O problema é que Chaves disse um outro dia que ia amar, cuidar, abraçar e acariciar aquela velha e imunda canoa e nem sequer deu um beijo nela, apesar de ter passado oito longos anos cuidando da mesma. Esses meninos mentem muito e quem sofre com isso são os donos de verdade dessa canoa.

            O garoto Libanês parece que também não tem muito amor a essa velha, distante e carcomida embarcação. Quando estava cuidando dela, por exemplo, fez um Natal “inesquecível” com pneus velhos envergonhando dessa forma quase todos os moradores na época. Nada, nem na canoa nem na sinistra cidade, lembra os dias em que Libanês cuidou daquele esquecido caiaque. Já o menino Betinho, alguns dizem que conseguiu cuidar melhor do velho bote. Projetou alguns viadutos inacabados, que não melhoraram em nada a mobilidade urbana. Ele também não cuidou das alagações constantes que existem há tanto tempo no ermo e atrasado lugar. Saiu pela porta dos fundos, mas muitos dizem até hoje que foi injustiçado. Zé Coelho foi tão apagado que raras pessoas ali sabem que o mesmo cuidou um dia daquele lugar, daquele rincão. A canoa continuará sem rumo!

            De todas as canoas existentes no país, aquela é a pior de todas. Entra ano e sai ano e o martírio dos seus habitantes parece que não tem fim. Com as chuvas chegando, as alagações fazem a triste rotina dali. Já no verão, o tormento são as queimadas com fumaça tóxica e hospitais lotados com velhos e crianças tossindo e com pneumonia. Mas os meninos que brincam na canoa são imunes a tudo isso: nunca foram buscar saúde num certo “açougue” que existe no lugar. Existem, claro, muitos outros meninos privilegiados por ali, mas isso é uma outra história. Há outros meninos e também outras canoas. Mas eles nunca se entendem. Brincam alegremente como se não existissem pessoas que dependem do trabalho deles. A canoa não pode ser consertada, pois assim não haveria mais nada a prometer. Como diz a música: “o hoje é apenas o furo no futuro”. Os meninos canoeiros vão ainda se divertir muito e os afogados sempre os levarão ao poder.

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.

terça-feira, 25 de novembro de 2025

Quem será o novo pateta?

Quem será o novo pateta?

 

Professor Nazareno*

 

            Acabou, porra!”. É desse mesmo jeito que diria Jair Messias Bolsonaro sobre a sua atual situação. O ex-presidente do Brasil foi julgado pelo STF por tentativa de golpe de Estado, foi condenado a 27 anos e 3 meses de cadeia e, a partir de hoje, está preso nas dependências da Polícia Federal em Brasília. Ele e todos os seus cúmplices na empreitada golpista fracassada. Desde o ano de 1930 que mais ou menos a cada 30 anos aparece no Brasil uma figura patética, tresloucada, sinistra e messiânica se dizendo “Salvador da Pátria” e que leva multidões ao delírio e ao êxtase quase total. Rapidamente essa figura ganha multidões de seguidores encegueirados que apoiam ele e logo o levam ao cargo de presidente do país. Foi assim com Getúlio Vargas em 1930. Com Jânio Quadros em 1960. Com Fernando Collor de Mello em 1989 e mais recentemente com o Bolsonaro em 2018.

            Todos esses “quatro patetas” praticamente tiveram um fim desastroso e não resolveram absolutamente nada que juravam que iam consertar no país. Enganaram os tolos e fanáticos eleitores e seguidores e, cada um a seu modo, quase levou o país ao desastre total. O ditador Getúlio Vargas em 1954 deu um tiro na própria cabeça e deixou o país perplexo e meio sem rumo. O suicida falava em umas “forças ocultas” sem dizer quem delas participava e nem o porquê de seu gesto derradeiro. Até hoje é lembrado por alguns saudosistas como um grande estadista. Jânio Quadros, outro lunático, emergiu ao poder no auge da Guerra Fria e foi amado e adorado como um “deus egípcio” ou a própria encarnação de uma grande divindade. A campanha de Jânio foi marcada por um forte apelo popular. “Varre, Varre, Vassourinha” era o seu slogan para acabar com a corrupção.

            Sem acabar com a corrupção e com apenas sete meses à frente do governo, Jânio Quadros renuncia e mergulha o país numa violenta crise política que culminaria três anos depois com o golpe civil-militar de 1964, que instala uma feroz e infame Ditadura Militar que duraria 21 longos anos. Torturas a oposicionistas nos extintos DOI-CODI, exílios de brasileiros, eleições indiretas, censura à mídia, assassinatos e outras brutalidades foi o resultado mais visível dos militares à frente do poder. Quase 500 brasileiros foram mortos naqueles anos de chumbo. A Ditadura Militar acaba em 1985, mas coisas piores ainda estavam por vir. A Nova República, que surgiu com José Sarney, até que criou a atual Constituição, mas nas primeiras eleições diretas para a Presidência da República elege outro pateta do mesmo naipe dos anteriores: Fernando Collor, o “Caçador de Marajás”.

            Collor sofreu um impeachment e renunciou ao poder antes do fim de seu mandato. Hoje cumpre prisão domiciliar em Maceió, Alagoas. E quando muita gente achava que o Brasil já estava curado para esses “Salvadores da Pátria”, eis que surge, quase 30 anos depois, o senhor Jair Messias Bolsonaro da extrema-direita reacionária. Saudosista da Ditadura Militar, o ex-capitão do Exército, chamado por muitos de “Mito” enlouquece multidões e leva os brasileiros ao delírio e à loucura. Negacionista ao extremo, Bolsonaro foi o maior responsável pela morte de mais de 700 mil brasileiros durante a pandemia da Covid-19, quando lhes negou a vacina. O “Mito” termina seu fracassado mandato, mas perde as eleições para a esquerda de Lula, o atual presidente. Bolsonaro tenta dar um golpe de Estado e leva seus fanáticos seguidores à loucura de rezar para pneus e de endeusá-lo como o melhor presidente do Brasil. E em 2048, quem será o pateta da vez?

 

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.